Ir para o conteúdo
Central Ortopédica

Doença de Osgood-Schlatter: o que é, como é investigada e quais são os tratamentos

Entenda o que é a doença de Osgood-Schlatter, a dor abaixo do joelho em adolescentes em crescimento, como é investigada e quais abordagens existem.

Por Equipe editorial Central OrtopédicaPublicado em Atualizado em Próxima revisão: 10/2027Conteúdo informativo, sem revisor médico declarado

O que é doença de Osgood-Schlatter

A doença de Osgood-Schlatter é uma causa comum de dor logo abaixo do joelho em adolescentes em fase de crescimento. O tendão patelar, que liga a rótula à tíbia, se fixa em uma saliência da tíbia chamada tuberosidade tibial. Nessa fase, o ponto de fixação ainda é formado por cartilagem em crescimento e é mais frágil. A tração repetida do tendão, comum em esportes, irrita essa região, que fica dolorida e inchada. Não é uma doença no sentido de infecção, e sim uma irritação pela sobrecarga em uma região de crescimento.

Quais estruturas estão envolvidas

A tuberosidade tibial é a saliência que se pode sentir logo abaixo do joelho, na frente da tíbia. Nela se insere o tendão patelar, que transmite a força do músculo quadríceps. Na adolescência, a placa de crescimento nessa região é cartilaginosa e sofre com puxões repetidos, o que pode gerar microlesões, inflamação do tendão e do osso e, às vezes, a formação de um pequeno fragmento ou de uma proeminência óssea. Perto dali há uma bursa que também pode inflamar, e o médico avalia o conjunto.

O que as pessoas costumam relatar

Em geral, adolescentes e familiares relatam dor e inchaço na frente do joelho, logo abaixo da rótula, que costumam aparecer com atividades como correr, saltar e ajoelhar e se atenuar com o descanso. Pode haver uma saliência dolorosa ao tocar. Em geral, atinge um lado, mas pode atingir os dois. Esses relatos são comuns a outras causas de dor no joelho do adolescente, e não servem para um diagnóstico por conta própria. A avaliação do médico é necessária.

Como costuma ser investigada

Exame clínico

O médico pergunta sobre a rotina de atividades, o início da dor e o crescimento recente e examina os joelhos. Procura dor ao pressionar a tuberosidade da tíbia, inchaço e uma saliência no local, e avalia a dor ao esticar o joelho contra resistência. Examina a flexibilidade e a força da coxa, os quadris, o alinhamento das pernas e os pés. Verifica, ainda, se há dor no quadril, que às vezes aparece como dor no joelho em adolescentes e precisa ser descartada.

Exames de imagem

O diagnóstico é, em grande parte, clínico. A radiografia de perfil do joelho pode mostrar a tuberosidade tibial fragmentada ou proeminente e ajuda a excluir outras causas, como tumores e infecções. O ultrassom pode mostrar o tendão e a bursa. A ressonância é reservada para casos atípicos. Achados de imagem na região aparecem também em adolescentes sem queixa, e por isso o laudo é lido junto com o exame clínico, pelo médico.

Com o que costuma ser diferenciada

Dor abaixo do joelho em adolescentes pode vir de outras causas. O médico costuma diferenciar a doença de Osgood-Schlatter da tendinopatia patelar, da síndrome de Sinding-Larsen-Johansson, que afeta a ponta de baixo da rótula, de fraturas por avulsão, de bursites, de infecções e tumores, que são raros, e da dor no quadril que se projeta para o joelho. O exame clínico e, quando necessário, a radiografia ajudam a separar cada hipótese.

Tratamentos que existem

Abordagem sem cirurgia

A literatura descreve o acompanhamento sem cirurgia como o caminho principal, e a maior parte dos casos tende a se acalmar quando o crescimento termina. Costuma envolver consultas, orientações sobre a carga das atividades, definidas com o médico, reabilitação conduzida por fisioterapeuta e, quando o médico considera adequado, medidas para controle da dor. O acompanhamento durante o crescimento permite ajustar o plano conforme a evolução, e o médico conversa com o adolescente e a família sobre as atividades.

Quando a cirurgia entra na discussão

A cirurgia é rara e reservada para casos persistentes, em geral após o fim do crescimento, em que há um fragmento ósseo solto ou uma proeminência dolorosa que não responde ao acompanhamento. As técnicas descritas incluem a retirada do fragmento ou da proeminência, às vezes com ajuste do tendão. Cada técnica tem indicações e riscos próprios. A indicação cabe ao ortopedista, depois de avaliar o caso, a radiografia e a evolução da queixa.

O que costuma envolver a recuperação

A evolução costuma ser longa e se relaciona ao ritmo de crescimento. A literatura descreve que as queixas podem oscilar por meses e, em muitos casos, se acalmam quando o crescimento termina, em geral em um ou dois anos. Em parte dos adultos, a saliência óssea permanece e pode doer ao ajoelhar. São intervalos gerais, e não prazos. Este site não indica exercícios, cargas nem retorno ao esporte, que são orientados pela equipe que acompanha o adolescente.

Cobertura pelo plano e pelo SUS

Nos planos de saúde regulamentados, o ponto de partida é o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, que lista o que tem cobertura obrigatória conforme a segmentação contratada. Prazos de carência e a documentação do médico assistente fazem parte da análise. Consultas, radiografias e acompanhamento pediátrico costumam entrar nas regras de cobertura, e a cobertura de procedimentos depende da indicação médica e do contrato.

Como este tema envolve principalmente consultas, exames e acompanhamento, a análise de cobertura costuma passar pelas regras gerais descritas nas páginas de cobertura.

No SUS, o caminho em geral passa pela unidade básica de saúde, que encaminha ao serviço especializado pelo sistema de regulação. A oferta de exames e cirurgias depende da rede local, e a espera varia. Para entender os dois caminhos em termos gerais, veja cirurgia ortopédica pelo plano e cirurgia ortopédica pelo SUS.

Para continuar lendo

Dúvidas frequentes

Osgood-Schlatter e Osgood Schlatter, com ou sem hífen, são a mesma coisa?

Sim. As duas grafias nomeiam a mesma condição, descrita por dois médicos. O hífen é a grafia mais usada na literatura.

A doença de Osgood-Schlatter é mais comum em quem pratica esporte?

A literatura descreve maior frequência em adolescentes que praticam esportes com corrida, salto e mudança de direção. Também ocorre em quem não pratica.

A doença de Osgood-Schlatter pode ocorrer em adultos?

Queixas persistentes na idade adulta são descritos em parte dos casos, geralmente por um pequeno fragmento de osso solto no local. O médico avalia esses casos.

A doença de Osgood-Schlatter precisa de cirurgia?

É rara. A maioria dos casos é acompanhada sem cirurgia e tende a se acalmar quando o crescimento termina. A cirurgia é discutida em casos selecionados.

Fontes e revisão

  1. StatPearls, Osgood-Schlatter Disease Consultado em 05/10/2026.
  2. ANS, Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar Consultado em 05/10/2026.
  3. Ministério da Saúde, Sistema Único de Saúde (SUS) Consultado em 05/10/2026.
  4. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), seção do paciente: ortopedia pediátrica Consultado em 05/10/2026.