Por Equipe editorial Central OrtopédicaPublicado em Atualizado em Próxima revisão: 10/2027Conteúdo informativo, sem revisor médico declarado
O que é a cirurgia de LCA
A cirurgia de LCA é o procedimento em que o ligamento cruzado anterior do joelho, quando rompido, é reconstruído. O nome mais usado entre os médicos é reconstrução do ligamento cruzado anterior, e é com essa expressão que a literatura científica costuma tratá-la. O ligamento é uma das estruturas que mantêm o joelho estável durante os movimentos de rotação e de deslocamento da tíbia para a frente, e uma ruptura costuma ser acompanhada de sensação de instabilidade e, em alguns casos, de lesões associadas no menisco e na cartilagem.
A decisão de operar não é automática. A sociedade americana de ortopedia descreve que o tratamento envolve uma conversa entre a pessoa e o ortopedista para definir objetivos, revisar as opções cirúrgicas e planejar a recuperação, e que a reconstrução é a técnica cirúrgica mais comum, enquanto o reparo fica reservado a situações específicas. Esta página descreve o procedimento em termos gerais; ela não diz se a cirurgia se aplica a alguém. Para entender a lesão em si, vale ler a página sobre ruptura de LCA, que trata de exames e de opções de tratamento.
Como costuma ser feita
Na reconstrução, o ligamento rompido é retirado ou aparado e substituído por um enxerto, um tecido que passa a funcionar como um novo ligamento. O enxerto pode vir do próprio paciente, em geral de tendões do joelho ou da coxa (autoenxerto), ou de tecido de doador (aloenxerto). A escolha depende de idade, atividade, anatomia, lesões associadas e preferência da equipe, e cada opção tem vantagens e limitações que o cirurgião explica.
O procedimento costuma ser feito com artroscopia. O cirurgião faz pequenos cortes, chamados portais, por onde passam uma câmera e instrumentos finos. Túneis são feitos nos ossos da coxa e da perna, o enxerto é posicionado e fixado com parafusos ou dispositivos próprios. Quando existe lesão no menisco, ela pode ser tratada na mesma cirurgia, por isso o Rol da ANS descreve itens que juntam meniscectomia, sutura meniscal e reconstrução ligamentar em uma mesma artroscopia. A duração varia com a técnica e com o que mais precisa ser feito.
Anestesia e internação usuais
O tipo de anestesia é definido pela equipe de anestesiologia com o cirurgião. Em cirurgias do joelho, é comum a anestesia geral ou a regional, em que a parte inferior do corpo fica anestesiada, muitas vezes associada a um bloqueio de nervo para controlar a dor depois. O Manual MSD explica que a anestesia regional deixa dormentes áreas maiores, que o paciente pode ficar acordado ou sedado e que, depois da cirurgia, passa por uma sala de recuperação por uma ou duas horas.
Quanto à internação, o Manual MSD lembra que cirurgias de menor porte podem permitir alta no mesmo dia, enquanto outras pedem pelo menos uma noite no hospital. Na reconstrução de LCA, o que costuma acontecer é alta no mesmo dia ou após uma noite, mas a duração varia conforme o hospital, o estado de saúde da pessoa e eventuais procedimentos associados. O serviço informa o que se espera no caso concreto.
Como costuma ser a recuperação, em faixas
A recuperação da reconstrução de LCA é um processo gradual e longo, medido em meses. Em geral, as primeiras semanas concentram controle de dor e de inchaço, cuidados com os curativos e a adaptação ao uso de proteções definidas pela equipe. Nos meses seguintes, o acompanhamento, que em geral inclui fisioterapia, trabalha a recuperação da mobilidade e da força, em etapas definidas pelo cirurgião e pelo fisioterapeuta. A conclusão do acompanhamento costuma ocupar boa parte do primeiro ano, mas essa faixa varia muito de pessoa para pessoa.
Fatores que influenciam o ritmo incluem o tipo de enxerto, a presença de lesão de menisco ou de cartilagem, a evolução individual da cicatrização, as condições de saúde e a forma como o caso é acompanhado. Nenhuma página consegue dizer o prazo de alguém, e o que vale é o que a equipe que opera orienta. O que costuma estar envolvido em cada fase está descrito em pós-operatório de LCA.
Riscos em termos gerais
Como toda cirurgia, a reconstrução tem riscos: infecção, sangramento, trombose, rigidez do joelho, dor persistente, falha do enxerto e nova lesão do ligamento. O risco de cada pessoa depende de saúde geral, de lesões associadas e da técnica, e é tema da conversa pré-operatória com a equipe, que também explica o termo de consentimento. Esta página não substitui essa conversa.
Cobertura pelo plano de saúde
Cirurgia de LCA consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, a lista mínima que os planos regulamentados pela Lei 9.656/1998 cobrem. Constar no Rol não é cobertura automática: valem a segmentação do contrato, a carência e, quando houver, a diretriz de utilização (DUT) do procedimento.
RN ANS nº 465/2021, Anexo I, planilha com alterações até a RN nº 678/2026 (vigência de 01/09/2026); sem diretriz de utilização no item. Conferido em . Mudança no Rol dispara revisão desta página. Como funciona a cobertura.
O Anexo I do Rol da ANS foi conferido em 05/10/2026, na planilha que incorpora as atualizações até a RN nº 678/2026. A reconstrução de LCA aparece no Rol em itens como a artroscopia para reconstrução, retensionamento ou reforço de ligamento, em item de artroscopia que cita a reconstrução dos ligamentos cruzados junto de meniscectomia e sutura meniscal, e em item de reconstruções ligamentares do pivot central do joelho. Os itens constam com segmentação hospitalar e plano referência e sem diretriz de utilização, o que significa que o Rol não condiciona a cobertura a critérios de uma diretriz específica.
A reconstrução de LCA costuma ser eletiva: a equipe pede ressonância, avalia o joelho e agenda a cirurgia, em geral com hospital-dia ou internação de uma noite. O pedido à operadora costuma citar o tipo de enxerto (tendão do próprio paciente ou de doador) e os dispositivos de fixação, e é nesses itens que mais aparecem pedidos de justificativa. Quando a lesão vem junto com a do menisco, os gestos aparecem somados no pedido. Para os prazos e a regra de preexistência, veja carência para cirurgia. Em caso de recusa ou de demora, negativa de cirurgia pelo plano de saúde e carência para cirurgia explicam o cenário geral, e os parafusos e demais dispositivos de fixação do enxerto são tratados em prótese, órtese e material cirúrgico.
Pelo SUS
No SUS, a reconstrução de LCA costuma ser pedida por serviço de joelho ou de ortopedia do esporte, com a ressonância e o laudo anexados, e entra na regulação como cirurgia eletiva. Poucos hospitais têm equipe e material para esse procedimento, o que pesa na espera. A fila é controlada pela secretaria municipal ou estadual, e a Ouvidoria do SUS recebe queixas sobre demora. A etapa a etapa do atendimento público está em cirurgia ortopédica pelo SUS, e o funcionamento da regulação está em fila para cirurgia ortopédica no SUS.
Onde fazer
Nem todo serviço reconstrói LCA. Confirme com o plano ou com a regulação do SUS quais hospitais e equipes fazem a cirurgia; a lista de clínicas de ortopedia por cidade, logo abaixo, é só uma referência geral.
- São Paulo, SP304 clínicas confirmadas, 90 pontos com SUS405pontos
- Rio de Janeiro, RJ132 clínicas confirmadas, 44 pontos com SUS189pontos
- Brasília, DF139 clínicas confirmadas, 30 pontos com SUS179pontos
- Belo Horizonte, MG102 clínicas confirmadas, 36 pontos com SUS138pontos
- Salvador, BA41 clínicas confirmadas, 40 pontos com SUS74pontos
- São Luís, MA30 clínicas confirmadas, 14 pontos com SUS46pontos
- Osasco, SP31 clínicas confirmadas, 8 pontos com SUS42pontos
- Fortaleza, CE20 clínicas confirmadas, 15 pontos com SUS36pontos
Todos os 27 estados, 1.497 cidades e 276 bairros
Perguntas que costumam ser levadas à consulta
- Qual técnica e qual tipo de enxerto a equipe costuma usar e por quê, no caso em questão.
- Se há lesão de menisco ou de cartilagem que será abordada na mesma cirurgia.
- Como será a anestesia, quanto tempo de internação se espera e quais cuidados a equipe orienta na alta.
- Como é o acompanhamento depois: retornos, fisioterapia e sinais que pedem contato com o serviço.
Dúvidas frequentes
Reconstrução de LCA e cirurgia de LCA são a mesma coisa?
Na linguagem do dia a dia, sim. Os médicos costumam falar em reconstrução porque o ligamento rompido é substituído por um enxerto, e não costurado de volta. Existe também o reparo, reservado em geral a rupturas parciais ou próximas da inserção óssea, e o profissional avalia qual se aplica.
A cirurgia de LCA é feita por vídeo?
Em geral, a reconstrução é feita com auxílio de artroscopia: uma câmera fina e instrumentos entram por pequenos cortes. Parte do procedimento, como a retirada do enxerto, pode exigir um corte um pouco maior. A técnica varia conforme o caso e a equipe.
O plano de saúde é obrigado a cobrir a cirurgia de LCA?
O Rol da ANS traz itens de artroscopia para reconstrução de ligamento e de ligamentos cruzados, com cobertura hospitalar. A cobertura de cada caso ainda depende do contrato, da carência e da autorização da operadora.
Quanto tempo dura a recuperação?
Não há número único. As descrições da área falam em meses de acompanhamento, e o ritmo depende do enxerto, de lesões associadas, da evolução e da orientação da equipe que opera.
Fontes e revisão
Os itens do Rol da ANS que alcançam a reconstrução de LCA foram conferidos na planilha de 05/10/2026. A parte clínica se apoia no material da sociedade americana de ortopedia, e a referência brasileira é a página da SBOT sobre a lesão do ligamento cruzado anterior. Revisão feita em 05/10/2026, repetida a cada ano.
- ANS, Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, Anexo I (planilha vigente, RN 465/2021 com alterações até a RN 678/2026) Consultado em 05/10/2026.
- AAOS OrthoInfo, Anterior Cruciate Ligament (ACL) Injuries Consultado em 05/10/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família, Cirurgia Consultado em 05/10/2026.
- ANS, Carência Consultado em 05/10/2026.
- ANS, Prazos máximos de atendimento Consultado em 05/10/2026.
- Ministério da Saúde, Como faço para entrar na fila para cirurgia? Consultado em 05/10/2026.
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), lesão do ligamento cruzado anterior Consultado em 05/10/2026.