Por Equipe editorial Central OrtopédicaPublicado em Atualizado em Próxima revisão: 10/2027Conteúdo informativo, sem revisor médico declarado
O que é a tenotomia
Tenotomia é o corte cirúrgico de um tendão. O termo descreve uma técnica, e não uma cirurgia única, e por isso aparece em contextos bastante diferentes: no ombro, na tenotomia do tendão da cabeça longa do bíceps; no tornozelo, em procedimentos sobre o tendão de Aquiles; no quadril de crianças, na tenotomia de adutores associada ao tratamento da displasia. Em cada situação, o motivo do corte, a técnica e a recuperação mudam, e esta página trata do procedimento em termos gerais, sem dizer se ele se aplica a alguém.
O contexto mais buscado é o do ombro. Uma revisão sistemática publicada em 2015 na PLoS One, que reuniu sete estudos com 622 pessoas, comparou a tenotomia com a tenodesia da cabeça longa do bíceps, procedimento em que o tendão, depois de cortado, é fixado no osso. A tenotomia é mais simples e mais rápida; a tenodesia mostrou menos deformidade estética, conhecida como sinal de Popeye, e menos câimbra, com cirurgia mais longa, e a satisfação dos pacientes foi parecida. Os próprios autores recomendam cautela na interpretação, pelo número limitado de estudos randomizados. As lesões envolvidas são tratadas em lesão do tendão do bíceps e lesão do tendão de Aquiles.
Como costuma ser feita
No ombro, a tenotomia do bíceps costuma ser feita por artroscopia, no mesmo procedimento em que outros problemas da articulação são tratados. O cirurgião identifica o tendão dentro da articulação e o seciona perto da sua inserção, e o tendão se retrai e deixa de transmitir tensão àquela região. A sociedade americana de ortopedia observa que lesões do tendão do bíceps são, muitas vezes, tratadas junto com o reparo do manguito rotador, como descrito em cirurgia de manguito rotador, e a técnica de base está em artroscopia de ombro.
Em outras regiões, a tenotomia pode ser feita por uma incisão pequena ou até por via percutânea, com agulha ou lâmina fina. No caso do quadril em crianças, o Rol da ANS menciona a tenotomia de adutores como parte do tratamento cirúrgico da luxação congênita do quadril, assunto ligado a displasia do quadril. A escolha da técnica é da equipe e depende da região e do objetivo.
Anestesia e internação usuais
O tipo de anestesia depende da região e da técnica. No ombro, é comum um bloqueio de nervo regional, às vezes combinado com anestesia geral leve; em procedimentos menores, pode bastar anestesia local ou regional; em crianças, costuma ser geral. A decisão é do anestesiologista com a equipe cirúrgica. O Manual MSD explica que cirurgias de menor porte podem ser feitas em regime ambulatorial, com alta no mesmo dia, depois de uma ou duas horas em sala de recuperação.
A tenotomia isolada costuma permitir alta no mesmo dia. Quando faz parte de cirurgia maior, a internação segue a do procedimento principal, e o hospital e a equipe definem o tempo.
Como costuma ser a recuperação, em faixas
Não existe uma recuperação única para a tenotomia, porque ela depende do tendão, da região e de se foi feita sozinha ou junto de outro procedimento. Quando é a única intervenção, a fase de desconforto costuma ser mais curta, na faixa de dias a poucas semanas, com retomada gradual das atividades. Quando faz parte de um reparo maior, como o do manguito, a recuperação segue a do procedimento principal e pode ocupar meses.
Com a tenotomia do bíceps, a literatura descreve possíveis consequências próprias, como a deformidade estética do bíceps (sinal de Popeye) e câimbras no músculo, que variam de pessoa para pessoa. A equipe orienta cuidados, retornos e reabilitação conforme cada caso.
Riscos em termos gerais
Além dos riscos de qualquer cirurgia, como infecção, sangramento e reação à anestesia, a tenotomia tem os riscos próprios de o tendão se retrair e alterar o contorno do músculo, de câimbras, de perda de força em movimentos específicos e de persistência da dor. Em crianças e em outras regiões, os riscos mudam. O risco de cada caso é avaliado pela equipe.
Cobertura pelo plano de saúde
Tenotomia consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS, a lista mínima que os planos regulamentados pela Lei 9.656/1998 cobrem. Constar no Rol não é cobertura automática: valem a segmentação do contrato, a carência e, quando houver, a diretriz de utilização (DUT) do procedimento.
RN ANS nº 465/2021, Anexo I, planilha com alterações até a RN nº 678/2026 (vigência de 01/09/2026); item tenotomia, sem diretriz de utilização. Conferido em . Mudança no Rol dispara revisão desta página. Como funciona a cobertura.
O Anexo I do Rol da ANS, planilha conferida em 05/10/2026 na versão com a RN nº 678/2026, traz o item tenotomia, no grupo de tendões, bursas e sinóvias, com segmentação hospitalar e plano referência e sem diretriz de utilização. Há ainda um item de tratamento cirúrgico de luxação congênita de quadril que menciona a tenotomia de adutores. Quando a tenotomia faz parte de outra cirurgia, como o reparo do manguito, o código pedido costuma ser o do procedimento principal.
A tenotomia é, com frequência, um gesto dentro de outra cirurgia, como o reparo do manguito ou o tratamento do bíceps, e por isso o pedido costuma usar o código do procedimento principal. Quando é feita isolada, pode ser ambulatorial ou em hospital-dia, e em geral é programada. O Rol traz o item tenotomia na cobertura hospitalar. Para prazos e regra de preexistência, veja carência para cirurgia. Como a tenotomia muitas vezes integra outra cirurgia, o enquadramento depende do procedimento principal, e o quadro geral está em cobertura de cirurgia ortopédica pelo plano.
Pelo SUS
No SUS, a tenotomia costuma ser pedida pelo ambulatório de ortopedia, em geral como parte de uma cirurgia maior, e segue a regulação desse procedimento principal. Quando é isolada, entra como cirurgia eletiva de menor porte, e o tempo de espera depende da oferta de salas cirúrgicas na região. A secretaria de saúde acompanha a fila, e a Ouvidoria do SUS recebe queixas de demora. Se a tenotomia vier junto de outra cirurgia, o fluxo geral do atendimento público é o descrito em cirurgia ortopédica pelo SUS.
Onde fazer
A tenotomia é feita por ortopedistas, e o local depende do tendão e do procedimento principal. A lista de clínicas por cidade, logo abaixo, é uma referência geral e não indica quem realiza o procedimento. Ao conversar com o serviço, vale saber qual tendão está em questão, se a tenotomia será feita sozinha ou dentro de outra cirurgia e qual anestesia está prevista.
- São Paulo, SP304 clínicas confirmadas, 90 pontos com SUS405pontos
- Rio de Janeiro, RJ132 clínicas confirmadas, 44 pontos com SUS189pontos
- Brasília, DF139 clínicas confirmadas, 30 pontos com SUS179pontos
- Belo Horizonte, MG102 clínicas confirmadas, 36 pontos com SUS138pontos
- Salvador, BA41 clínicas confirmadas, 40 pontos com SUS74pontos
- São Luís, MA30 clínicas confirmadas, 14 pontos com SUS46pontos
- Osasco, SP31 clínicas confirmadas, 8 pontos com SUS42pontos
- Fortaleza, CE20 clínicas confirmadas, 15 pontos com SUS36pontos
Todos os 27 estados, 1.497 cidades e 276 bairros
Termos que costumam aparecer no pedido e no laudo
Nos documentos, a tenotomia pode aparecer com o nome do tendão e da região, por exemplo tenotomia da cabeça longa do bíceps, tenotomia do tendão de Aquiles ou tenotomia de adutores, e muitas vezes vem dentro do nome de uma cirurgia maior. Por isso, o código solicitado à operadora costuma ser o do procedimento principal. Vale perguntar à equipe como a tenotomia consta no pedido, se ela será feita sozinha ou junto de outra cirurgia e qual é o objetivo, porque essas respostas ajudam a entender o que a operadora ou a regulação analisam.
Perguntas que costumam ser levadas à consulta
- Em qual tendão e por qual motivo a tenotomia está sendo considerada e se há alternativas, como a tenodesia.
- Se ela será feita sozinha ou junto de outra cirurgia.
- Quais consequências a equipe costuma explicar, como alteração do contorno do músculo, e como é o acompanhamento.
Dúvidas frequentes
O que é tenotomia?
É o corte cirúrgico de um tendão. Pode ser feita para soltar um tendão encurtado, para aliviar a tensão sobre uma estrutura ou, como no caso do bíceps, para desligar da sua inserção um tendão lesionado ou doloroso.
Qual a diferença entre tenotomia e tenodesia do bíceps?
Na tenotomia, o tendão da cabeça longa do bíceps é cortado e fica solto. Na tenodesia, ele é cortado e fixado em outro ponto do osso. Uma revisão sistemática de 2015 relatou menos deformidade estética e menos câimbra com a tenodesia, mas cirurgia mais longa, e ambos os grupos tiveram satisfação semelhante.
A tenotomia é uma cirurgia só do ombro?
Não. O termo se aplica a tendões de várias regiões, como o bíceps, o tendão de Aquiles e os adutores do quadril em crianças. A técnica e o objetivo mudam conforme a região.
O plano cobre tenotomia?
O Rol da ANS traz um item chamado tenotomia, com cobertura hospitalar e sem diretriz de utilização. A cobertura do caso depende do contrato, da carência e da autorização da operadora.
Fontes e revisão
O item tenotomia do Rol da ANS foi conferido na planilha de 05/10/2026. O texto clínico se apoia na revisão sistemática publicada na PLoS One em 2015, e a referência brasileira é a seção de ombro e cotovelo da área do paciente da SBOT. Revisado em 05/10/2026, com renovação anual.
- ANS, Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, Anexo I (planilha vigente, RN 465/2021 com alterações até a RN 678/2026) Consultado em 05/10/2026.
- PLoS One, Tenotomy or Tenodesis for the Long Head of Biceps Lesions in Shoulders: A Systematic Review and Meta-Analysis (2015) Consultado em 05/10/2026.
- AAOS OrthoInfo, Rotator Cuff Tears: Surgical Treatment Options Consultado em 05/10/2026.
- Manual MSD Versão Saúde para a Família, Cirurgia Consultado em 05/10/2026.
- ANS, Carência Consultado em 05/10/2026.
- ANS, Prazos máximos de atendimento Consultado em 05/10/2026.
- Ministério da Saúde, Como faço para entrar na fila para cirurgia? Consultado em 05/10/2026.
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), seção do paciente: ombro e cotovelo Consultado em 05/10/2026.