Ir para o conteúdo
Central Ortopédica

Lesão do tendão de Aquiles: o que é, como é investigada e quais são os tratamentos

Entenda o que é a lesão do tendão de Aquiles, da tendinopatia à ruptura, como o diagnóstico costuma ser feito e quais tratamentos a literatura descreve.

Por Equipe editorial Central OrtopédicaPublicado em Atualizado em Próxima revisão: 10/2027Conteúdo informativo, sem revisor médico declarado

O que é lesão do tendão de Aquiles

O tendão de Aquiles é o mais forte e mais grosso do corpo. Ele liga os músculos da panturrilha ao osso do calcanhar e é responsável por empurrar o pé para baixo, o movimento que acompanha o andar, a corrida e o salto. A lesão do tendão de Aquiles engloba a tendinopatia, em que o tendão se altera por sobrecarga e passa a doer, a ruptura parcial e a ruptura total, em que ele se rompe por completo. A ruptura costuma ser descrita em adultos entre 30 e 50 anos, em esportes com arrancada e salto, e também em atividades do dia a dia.

Quais estruturas estão envolvidas

O tendão se origina da união de dois músculos da panturrilha, o gastrocnêmio e o sóleo, e desce pela parte de trás da perna até o calcâneo. Uma região a alguns centímetros acima da inserção tem menos irrigação sanguínea, e é onde a ruptura é mais descrita. Em volta, uma bainha fina, o paratendão, e uma bursa na inserção reduzem o atrito. Alterações na região da inserção, como um esporão ou uma bursite, também podem causar dor e são avaliadas à parte.

O que as pessoas costumam relatar

Em geral, na tendinopatia as pessoas relatam dor na parte de trás do tornozelo ou do calcanhar, que costuma aparecer com a atividade e se acompanha de rigidez pela manhã. Já na ruptura, é descrita uma sensação súbita, como um chute ou estalo na região, seguida de dor e dificuldade de ficar na ponta do pé. Esses relatos se confundem com os de outras lesões do tornozelo, e não servem para um diagnóstico por conta própria. Uma suspeita de ruptura exige avaliação médica sem demora.

Como costuma ser investigada

Exame clínico

O médico pergunta como a queixa começou e examina a perna e o tornozelo. Procura inchaço, dor ao longo do tendão, nódulos e, na ruptura, uma falha palpável. Realiza uma manobra clássica, em que aperta a panturrilha com a pessoa deitada de bruços e observa se o pé se move, o que ajuda a avaliar se o tendão está íntegro. Avalia ainda a força para ficar na ponta do pé e compara com o outro lado. O exame clínico tem peso grande no diagnóstico.

Exames de imagem

O ultrassom é muito usado, pois mostra o tendão em tempo real, permite ver espessamento, áreas de alteração e rupturas parciais ou totais e pode ser feito com o pé em movimento. A ressonância magnética detalha o tendão, o grau da lesão e as estruturas vizinhas, e é útil para planejamento. A radiografia exclui alterações ósseas, como o esporão. A leitura dos laudos é do médico responsável, em conjunto com o exame clínico.

Com o que costuma ser diferenciada

Dor na parte de trás do tornozelo tem várias origens. O médico costuma diferenciar a lesão do tendão de Aquiles de bursites do calcanhar, de lesões dos músculos da panturrilha, de ruptura de outros tendões, de fraturas, da doença de Haglund, que causa uma saliência no calcanhar, e de trombose venosa, que pode causar dor na panturrilha. A ruptura, em especial, pode passar despercebida no início. O exame clínico e a imagem ajudam a separar cada situação.

Tratamentos que existem

Abordagem sem cirurgia

Na tendinopatia, a literatura descreve o acompanhamento sem cirurgia como o caminho principal, com consultas, orientações sobre a carga das atividades, reabilitação conduzida por fisioterapeuta e medidas para controle da dor, quando o médico considera adequado. Na ruptura total, também existe o tratamento sem cirurgia, com imobilização do pé em posição específica por período definido pelo médico e reabilitação, descrito sobretudo para algumas pessoas. A escolha depende de idade, rotina e das características da lesão.

Quando a cirurgia entra na discussão

Na ruptura total, a cirurgia é discutida e é uma das opções descritas, sobretudo em pessoas mais ativas. O procedimento consiste em suturar as pontas do tendão, por via aberta ou por técnicas minimamente invasivas, e, em lesões antigas ou com perda de tecido, pode envolver enxertos ou transferência de outro tendão. Na tendinopatia crônica que não responde, discutem-se a retirada de áreas alteradas e outros procedimentos. A escolha, a técnica e o momento cabem ao cirurgião.

O que costuma envolver a recuperação

A recuperação do tendão é lenta, tanto com cirurgia quanto sem. A literatura descreve um processo que se estende por muitos meses e passa por fases: proteção, retomada gradual do apoio e do movimento, fortalecimento e reavaliação da função. A duração e o ritmo variam bastante. São intervalos gerais, e não prazos. Este site não indica exercícios, tipo de bota, apoio nem retorno ao esporte, que são orientados pela equipe responsável pelo paciente.

A reabilitação, vista por quem a conduz, tem página própria no Clínicas de Fisioterapia. Aqui o assunto é o diagnóstico e o procedimento.

Cobertura pelo plano e pelo SUS

O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, publicado pela ANS, é a lista de consultas, exames, cirurgias e tratamentos que os planos regulamentados são obrigados a oferecer, conforme a segmentação do contrato. Carência, tipo de plano e justificativa médica também entram na conta. Consultas, ultrassom, ressonância e procedimentos cirúrgicos do tendão são discutidos nas regras de cobertura, conforme o contrato e a indicação médica.

Como este tema envolve principalmente consultas, exames e acompanhamento, a análise de cobertura costuma passar pelas regras gerais descritas nas páginas de cobertura.

No SUS, o acesso costuma começar pela atenção básica, que encaminha o paciente ao atendimento especializado por meio da regulação. Exames e cirurgias seguem a organização de cada município e estado, e o tempo de espera varia. Para entender os dois caminhos em termos gerais, veja cirurgia ortopédica pelo plano e cirurgia ortopédica pelo SUS.

Para continuar lendo

Dúvidas frequentes

Lesão do tendão de Aquiles e ruptura do tendão de Aquiles são a mesma coisa?

A lesão é o termo amplo, que inclui inflamação, desgaste e ruptura parcial ou total. A ruptura é o rompimento do tendão.

Tendinite de Aquiles é a mesma coisa que ruptura?

Não. Tendinite ou tendinopatia é a alteração do tendão por sobrecarga, sem rompimento. A ruptura é um evento diferente, com avaliação e conduta próprias.

A ruptura do tendão de Aquiles sempre exige cirurgia?

Não. A literatura descreve caminhos com e sem cirurgia, e a escolha depende de idade, rotina, tipo de ruptura e preferências. A decisão é médica.

Que exames costumam ser usados?

O exame clínico é central. O ultrassom e a ressonância mostram o tendão e ajudam a descrever a lesão. O pedido cabe ao médico.

Fontes e revisão

  1. StatPearls, Achilles Tendon Rupture Consultado em 05/10/2026.
  2. ANS, Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar Consultado em 05/10/2026.
  3. Ministério da Saúde, Sistema Único de Saúde (SUS) Consultado em 05/10/2026.
  4. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Pergunte à SBOT, dor no tendão de Aquiles Consultado em 05/10/2026.