Por Equipe editorial Central OrtopédicaPublicado em Atualizado em Próxima revisão: 10/2027Conteúdo informativo, sem revisor médico declarado
O que é neuroma de Morton
O neuroma de Morton é um espessamento do tecido que envolve um dos nervos digitais na parte da frente da planta do pé, na região entre os ossos do metatarso. Mais frequente no espaço entre o terceiro e o quarto dedos, ocorre quando o nervo é pressionado e irritado repetidas vezes. Apesar do nome, não é um tumor típico, e sim uma alteração do nervo e do tecido ao seu redor. É descrito com mais frequência em mulheres de meia-idade e tem relação com o uso de calçados apertados ou de salto, e com deformidades do pé.
Quais estruturas estão envolvidas
Entre as cabeças dos ossos do metatarso, passam nervos que levam sensibilidade aos dedos. Um ligamento transverso, estendido sobre esses nervos, forma uma espécie de limite apertado. Quando os ossos se aproximam, em calçados apertados, ou quando o pé tem determinadas características, o nervo é comprimido contra esse ligamento. Com a repetição, o tecido em volta se espessa e o nervo fica mais sensível. Uma bursa, a pequena bolsa entre os ossos, também pode inflamar e causar queixa parecida.
O que as pessoas costumam relatar
Em geral, as pessoas relatam dor ou queimação na frente da planta do pé, entre os dedos, que pode irradiar para eles, às vezes com dormência ou a sensação de ter uma pedra ou uma dobra da meia dentro do calçado. A queixa costuma aparecer ao caminhar, em especial com calçados apertados, e pode se atenuar ao tirar o calçado e massagear o pé. Esses relatos são comuns a vários problemas do antepé, e não servem para um diagnóstico por conta própria.
Como costuma ser investigada
Exame clínico
O médico pergunta sobre a dor, o tipo de calçado e as atividades e examina o pé. Procura dor ao pressionar o espaço entre os ossos do metatarso e, em uma manobra descrita, comprime o antepé dos dois lados, o que pode reproduzir a dor e um estalo. Examina a sensibilidade dos dedos, a mobilidade das articulações e o alinhamento do pé, além de verificar outras causas de dor, como a inflamação das articulações do antepé.
Exames de imagem
O diagnóstico é, em grande parte, clínico. O ultrassom pode mostrar o espessamento no espaço entre os ossos e ajuda a guiar procedimentos. A ressonância magnética mostra o neuroma e outras causas, em casos duvidosos. A radiografia exclui alterações ósseas, como fraturas por estresse e deformidades. Alterações na imagem aparecem também em pessoas sem queixa, e por isso o laudo é lido junto com o exame clínico, pelo médico.
Com o que costuma ser diferenciada
Dor na frente do pé tem muitas causas, e o neuroma é apenas uma. O médico costuma diferenciá-lo de inflamação das articulações do antepé, de fraturas por estresse nos ossos do metatarso, da bursite entre os ossos, de problemas dos tendões, de deformidades dos dedos, do hálux valgo e de neuropatias. Como as queixas se sobrepõem, o exame físico e, quando necessário, a imagem servem para separar uma da outra e orientar o plano.
Tratamentos que existem
Abordagem sem cirurgia
A literatura descreve o acompanhamento sem cirurgia como o ponto de partida. Costuma envolver consultas, orientações sobre calçados mais largos e com menos pressão no antepé, uso de palmilhas e almofadas que redistribuem a carga, reabilitação conduzida por fisioterapeuta e, quando o médico considera adequado, medidas para controle da dor. Em casos selecionados, discutem-se aplicações de medicamento perto do nervo, guiadas por imagem. A resposta varia.
Quando a cirurgia entra na discussão
A cirurgia é discutida quando as queixas persistem apesar do acompanhamento. O procedimento mais descrito é a retirada do trecho do nervo afetado, a neurectomia, que deixa uma área de dormência no local. Outra técnica é a liberação do ligamento transverso, para aliviar a compressão. Cada uma tem riscos e resultados que variam, e a dor pode, em parte dos casos, persistir ou reaparecer. A indicação e a técnica cabem ao cirurgião.
O que costuma envolver a recuperação
A evolução varia. Em casos acompanhados sem cirurgia, a reavaliação acontece ao longo de semanas a meses. Depois da cirurgia, há fases de cicatrização e de retomada gradual da marcha, que costumam levar de semanas a alguns meses, e a sensibilidade pode demorar a se estabilizar. São intervalos gerais, e não prazos. Este site não indica cargas, calçados nem retorno a atividades, que são orientados pela equipe responsável pelo paciente.
Cobertura pelo plano e pelo SUS
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, publicado pela ANS, é a lista de consultas, exames, cirurgias e tratamentos que os planos regulamentados são obrigados a oferecer, conforme a segmentação do contrato. Carência, tipo de plano e justificativa médica também entram na conta. Consultas, ultrassom, ressonância e procedimentos como aplicações guiadas ou a cirurgia entram nas regras de cobertura, conforme o contrato e a indicação médica.
Os procedimentos ligados a esse tema têm página própria, com a conferência da cobertura no Rol da ANS e a data em que ela foi feita: infiltração articular.
No SUS, o acesso costuma começar pela atenção básica, que encaminha o paciente ao atendimento especializado por meio da regulação. Exames e cirurgias seguem a organização de cada município e estado, e o tempo de espera varia. Para entender os dois caminhos em termos gerais, veja cirurgia ortopédica pelo plano e cirurgia ortopédica pelo SUS.
Para continuar lendo
- Visão geral da região: ortopedia do pé e tornozelo
- Lesão relacionada: fascite plantar
- Lesão relacionada: hálux valgo
- Lesão relacionada: instabilidade de tornozelo
- Procedimento relacionado: infiltração articular
Dúvidas frequentes
Neuroma de Morton é um tumor?
Não no sentido de câncer. O nome neuroma é enganoso, pois se trata de um espessamento e alteração do tecido ao redor de um nervo que passa entre os ossos do antepé.
Em qual espaço o neuroma de Morton costuma aparecer?
O local mais descrito é o espaço entre o terceiro e o quarto dedos, e depois o espaço entre o segundo e o terceiro.
O neuroma de Morton é mais comum em mulheres?
A literatura descreve maior frequência em mulheres de meia-idade e relaciona o quadro ao uso de calçados apertados ou de salto alto, entre outros fatores.
O neuroma de Morton precisa de cirurgia?
Nem sempre. Muitos casos são acompanhados sem cirurgia. A cirurgia é discutida quando as queixas persistem. A decisão é médica.
Fontes e revisão
- StatPearls, Morton Neuroma Consultado em 05/10/2026.
- ANS, Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar Consultado em 05/10/2026.
- Ministério da Saúde, Sistema Único de Saúde (SUS) Consultado em 05/10/2026.
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), seção do paciente: pé e tornozelo Consultado em 05/10/2026.