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Central Ortopédica

Especialidade em joelho: por que não existe RQE de joelho

O CFM não reconhece especialidade nem área de atuação de joelho, ombro ou coluna. Entenda o que é RQE, como consultá-lo e o que significa atuação declarada.

Por Equipe editorial Central OrtopédicaPublicado em Atualizado em Próxima revisão: 10/2027Conteúdo informativo, sem revisor médico declarado

A pergunta que aparece nas buscas

"Ortopedista de joelho", "ortopedista de ombro" e "ortopedista de coluna" estão entre as buscas mais frequentes quando alguém procura atendimento ortopédico. A procura faz sentido: a queixa costuma estar em uma articulação específica, e é natural querer um profissional que trate daquela região. O que pouca gente sabe é que, perante o Conselho Federal de Medicina, não existe título de especialista por região do corpo: nem de joelho, nem de ombro, nem de coluna, quadril, pé ou cotovelo. Este texto explica o que existe, o que não existe e como ler um anúncio que menciona uma região do corpo.

O que é o RQE

RQE significa Registro de Qualificação de Especialista. É um número atribuído pelo Conselho Regional de Medicina ao médico que apresenta o título de uma especialidade ou de uma área de atuação reconhecida, e que passa a constar do registro dele. Na regulamentação da publicidade médica, o RQE é o número que acompanha o nome da especialidade anunciada. A Resolução CFM 2.336/2023 determina que a divulgação de especialidade ou de área de atuação traga o RQE, e define como especialista, para esses efeitos, todo aquele que o apresenta.

Em resumo: o RQE é a prova pública, consultável, de que um título foi reconhecido e registrado. Sem RQE, o médico não é especialista naquela área perante o conselho, e a norma de publicidade restringe como ele pode se apresentar.

O que a relação do CFM reconhece

A relação oficial de especialidades e áreas de atuação médicas foi aprovada pela Resolução CFM 2.330/2023, que homologou uma portaria da Comissão Mista de Especialidades, formada pelo CFM, pela Associação Médica Brasileira e pela Comissão Nacional de Residência Médica. Essa resolução foi revogada pela Resolução CFM 2.380/2024, que homologou a atualização seguinte da relação e é a vigente na data de revisão desta página. Em ambas, o quadro é o mesmo para o tema deste texto:

  • são reconhecidas 55 especialidades, entre elas Ortopedia e Traumatologia (formação de 3 anos), Cirurgia da Mão (2 anos) e Medicina Esportiva (3 anos);
  • são reconhecidas áreas de atuação, que são qualificações adicionais, como Dor, Densitometria Óssea, Cirurgia do Trauma e Medicina Paliativa;
  • nenhuma especialidade e nenhuma área de atuação tem o nome de joelho, ombro, coluna, quadril, pé, tornozelo ou cotovelo.

A conferência foi feita diretamente nos anexos das duas resoluções, publicadas no portal do CFM. A relação pode mudar, e por isso a data de acesso consta nas fontes desta página.

A Cirurgia da Mão e a Medicina Esportiva são dois casos que merecem atenção, porque costumam ser tomadas por áreas de atuação da ortopedia. Não são: são especialidades próprias, com título e RQE próprios, como explicam os textos sobre a cirurgia da mão e a medicina esportiva. O restante do corpo, porém, não tem uma especialidade correspondente.

Por que não existe, e o que acontece na prática

A ortopedia é uma especialidade ampla, e a formação em residência cobre o aparelho musculoesquelético inteiro. Depois da residência, muitos médicos concentram a prática em uma região, seja por interesse, por formação complementar em cursos e fellowships no Brasil ou no exterior, seja porque o serviço onde trabalham é organizado dessa forma. Esse percurso é real e valioso, mas é um percurso individual: o sistema de titulação do CFM e da AMB não o transforma em um título registrado.

O resultado é uma distância entre a busca do paciente, que pensa por região, e o sistema de títulos, que pensa por especialidade. A distância existe, e é a razão pela qual um anúncio pode usar "joelho" sem estar afirmando nada que o conselho reconheça como título.

O que a norma de publicidade permite e veda

A Resolução CFM 2.336/2023 trata do assunto em dois pontos. O primeiro está na parte que define como divulgar a qualificação técnica: o especialista divulga a especialidade registrada com o RQE e, se quiser, outros títulos como pós-graduações em áreas relacionadas, e o médico com pós-graduação sem título de especialista usa a expressão "não especialista" em caixa alta. O segundo está nas vedações: é proibido ao médico que não é especialista divulgar que trata de sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas, por induzir à confusão com a divulgação de especialidades.

Isso não proíbe o médico de atender joelho, nem de dizer, com cuidado, onde atua. A norma busca impedir que a divulgação de uma região do corpo seja confundida com um título de especialista. A interpretação de cada caso cabe aos Conselhos Regionais, por meio de suas comissões de divulgação de assuntos médicos, e este site não faz esse julgamento.

Como consultar o RQE

O caminho é o portal do CFM:

  1. Acessar a busca pública de médicos.
  2. Informar o nome ou o número do CRM e a UF.
  3. Conferir a situação do registro e a lista de especialidades, cada uma com o respectivo RQE.

Se constam "Ortopedia e Traumatologia" e o RQE, o título está registrado. Se a consulta não mostra RQE, não há título registrado naquele CRM, o que não equivale a irregularidade.

O que significa "atuação declarada"

Neste diretório, a clínica pode informar em quais regiões do corpo ela atende, escolhendo no máximo quatro de uma lista fechada de oito. A informação é declarada pela própria clínica: o site não a verifica como título e não conhece nenhum registro que a comprove, porque não existe. Por isso ela aparece com a etiqueta "atuação declarada" e nunca com selo de verificação. Já a especialidade, quando o RQE foi conferido, aparece com o selo e a data da conferência.

Em outras palavras: o selo diz respeito ao que o conselho registra, e a etiqueta de declarada diz respeito ao que a clínica afirma. A separação está descrita em como tratamos áreas de atuação.

Como ler um anúncio com região do corpo

Sem fazer julgamento sobre nenhum profissional, algumas perguntas ajudam a ler um anúncio:

  • a especialidade registrada está informada junto com o RQE?
  • a região aparece como descrição de atuação ou como se fosse um título?
  • o RQE informado pode ser conferido no portal do CFM?
  • o anúncio promete resultado ou compara com outros profissionais, o que a norma de publicidade restringe?

Para onde ir a partir daqui

As páginas de região reúnem conteúdo informativo sobre lesões, exames e cirurgias: joelho, ombro, coluna, quadril e pé e tornozelo. Elas são navegação e conteúdo, não credencial. Para entender como procurar atendimento de ortopedia de modo geral, o texto sobre quando procurar um ortopedista descreve a conferência de CRM e RQE.

Dúvidas frequentes

Existe RQE de joelho, ombro, coluna ou quadril?

Não. Na relação oficial do CFM não há especialidade nem área de atuação por região do corpo. O RQE existe para as especialidades e áreas de atuação reconhecidas, como Ortopedia e Traumatologia.

Então um ortopedista que opera só joelho não tem título nenhum?

Tem o título de Ortopedia e Traumatologia, se registrado. A concentração da prática em uma região é uma escolha profissional, não um título reconhecido pelo conselho.

O que significa atuação declarada neste site?

É a informação, dada pela própria clínica, de que atende uma região do corpo. Não é verificada como título e aparece sem selo.

Fontes e revisão

  1. CFM, Resolução 2.380/2024 (relação de especialidades e áreas de atuação médicas, vigente) Consultado em 05/10/2026.
  2. CFM, Resolução 2.330/2023 (revogada pela 2.380/2024) Consultado em 05/10/2026.
  3. CFM, Resolução 2.336/2023 (publicidade médica) Consultado em 05/10/2026.
  4. CFM, Busca de médicos Consultado em 05/10/2026.